quarta-feira, 24 de agosto de 2011

III. Reflexão final

Dois temas permearam o desenvolvimento deste trabalho: a presença do artista na obra e o caráter indiciário desta. Penso que o primeiro foi abordado de forma recorrente e suficiente: desde a questão da escolha das fotos originais, passando por vários aspectos do procedimento do trabalho e da reflexão sobre este.
O segundo ponto parece pedir ainda alguma reflexão, especialmente em função do formato plástico final escolhido, que envolveu a seleção de três imagens para ampliação, dentre o contínuo de imagens que constituíu o processo de trabalho.
Entendo a ampliação como uma proposta válida. Ela constitui uma experimentação estética que permite, através do tamanho, uma nova visualização e compreensão das imagens.
Porém, ao me deparar com o conjunto das imagens, entendi a imensa dificuldade que tive para fazer a seleção de algumas poucas entre elas. Todo o desenvolvimento deste trabalho foi um esforço de desvelamento do valor indiciário das imagens. Parece-me que perdas nesse valor seriam inevitáveis no processo. No próprio deslocamento pendular realizado no ato fotográfico, por mais que se imortalize uma infinidade de instantes, me parece que sempre faltará uma parcela deles. Ao aplicar às imagens um critério de escolha que, por menos consciente e intencional que seja, carrega necessariamente um valor simbólico, em certo sentido entro em contradição com minha própria busca. Enfatizei várias vezes, no decorrer deste texto, o caráter central de processo de construção que propus para o trabalho. Nesse sentido, apenas o conjunto total das imagens o representa e lhe permite uma continuidade. É o conjunto das imagens que se apresenta como palimpesto.
Penso, por outro lado, que foi essa mesma experimentação estética que desvelou esta reflexão, que considero bastante relevante para o seguimento do trabalho e, espero, para muitas outras que virão.


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